“(…) um segundo marido da mãe nunca pode substituir o pai da criança. Ele sempre será um bom amigo paternal, e a criança o respeitará e o aceitará quanto maior for o seu respeito pelo pai da criança. Nós só podemos acompanhar nossos filhos e não alterar a verdade.” Marianne Franke

Marianne Franke-Gricksch: Se os pais conseguirem superar a sua decepção devida a um relacionamento que não funcionou, ficarão livres para agir como pais dos seus filhos e não tentarão pôr os filhos do seu lado. As crianças percebem as duas raízes e desejam amar os dois pais sem “ofender” nenhuma das duas partes. Uma separação não destrói a família. Aquilo que é prejudicial para as crianças é o crescendo das ofensas. Em algumas constelações, tenho aconselhado as crianças a imaginar na sua fantasia imagens curativas, como por exemplo o pai e a mãe a passarem tempo juntos novamente durante uma tarde, sem discutir. E isto ajudou muitas vezes.

 

Marianne Franke-Gricksch: Quando as mães estão zangadas com o marido de quem se separaram ou divorciaram, a maioria das vezes inconscientemente separam os filhos do pai e com isso sofrem a dupla carga do trabalho educativo. E vice-versa, os pais muitas vezes percebem até que ponto eles também são menosprezados como pais e então esquivam-se das suas obrigações para com a criança. Muitas vezes observei na prática que as mães queriam afastar os filhos dos pais porque estes bebiam. Nestes casos, tratava-se de filhos adolescentes que teriam ficado mais bem amparados se contassem com a presença do pai. Consegui que a mãe voltasse a permitir contactos mais longos, incluindo estadias durante as férias, e o pai voltava a desempenhar um papel importante e diminuía significativamente o consumo de álcool. Foi este o efeito do avanço da confiança.

Excerto de entrevista a Marianne Franke-Gricksch:  Una nueva comprensión de las relaciones entre alumnado, profesorado y familias (2006). In Cuadernos de Pedagogía nº 360 Septiembre 2006. Traduzido do espanhol por Eva Jacinto.
Desenho de Minoura Kentaro

 

Na visão da Constelação Familiar, quando o pai é excluído do CORAÇÃO: “torna-se viciado aquele a quem falta algo. Para ele, o vício é um substituto. Como curamos um vício em nós? Reencontrando aquilo que nos falta. Quem ou o que falta no caso de um vício? Geralmente é o pai. Ninguém e capaz de sentir-se inteiro e completo sem seu pai. Sendo assim, o vício e a ânsia de reencontrar o que foi perdido e, com ajuda, sentir-se são e restabelecido. Contudo, por ser apenas um substituto, o vício não é capaz de satisfazer essa necessidade. Por isso prossegue. E prossegue sem o pai. Como podemos ajudar um viciado? Como ele pode ajudar a si mesmo? Ele leva aquilo que foi perdido para dentro de seu vício, desta forma tornando-o supérfluo. O vício mais difundido em nosso tempo é, em muitos países, o fumo. Nem mesmo o fato de estar escrito “fumar mata” nos maços de cigarro assusta a maioria das pessoas. Para elas ainda mais mortal é o sentimento de que algo lhes falta em seu profundo interior. Como é possível para um fumante levar o pai que lhe falta para dentro de seu vício? Primeiramente, o que o ajuda é fumar com prazer, pois seu ato de fumar o conscientiza do quanto sente falta de algo. Quando deseja ou precisa fuma, sente o quanto lhe faz falta, por exemplo, seu pai. Assim que se prepara para tragar o cigarro, imagina seu pai. Então traga a fumaça profundamente em seus pulmões, olhando para seu pai, dizendo-lhe internamente: “TOMO VOCÊ EM MINHA VIDA E EM MEU CORAÇÃO. E FUMA ATÉ SENTIR SEU PAI DENTRO DE SI.” Algo similar vale para o álcool. Aquele que se tornou doente devido a este vício brinda com o pai antes de beber. Então bebe, lenta e profundamente, sorvendo seu pai, a cada gole até sentir-se preenchido por ele e vivenciá-lo profundamente.

 

E as mães? Como elas ajudam seus filhos viciados? Elas reconhecem que, para seus filhos, são apenas uma metade, e nunca a totalidade. Ao invés de manter seus filhos longe do pai, os guiam com amor até ele. Este movimento começa quando elas veem e amam, em seus filhos, também o pai.” (HELLINGER, 2014) “Somente na mão do pai a criança ganha um caminho para o mundo. As mães não podem fazê-lo. O amor dele não é cuidadoso nesta forma como é o amor da mãe. O Pai representa o espírito. Por isso o olhar do pai vai para a amplitude. Enquanto a mãe se move dentro de uma área limitada, o pai nos leva para além desses limites para uma amplitude diferente.” (HELLINGER, 2014)

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