Carl G. Jung, um dos maiores psicólogos do último século, já disse que no mesmo século vivem pessoas de vários séculos. E se analisarmos estas palavras, veremos que não somente no Afeganistão vivem mulheres como se o fizessem na Idade Média.

Acredito que no Afeganistão ou em qualquer lugar do mundo existem mulheres esperando a chance de poderem exercer sua própria personalidade, e podemos encontrar esta mulher em todas as classes sociais.

Outro dia, eu estava na casa de um casal amigo, quando a filha adolescente chegou em casa. Ela esquentou a comida, jantou, guardou tudo, louça na máquina – disse “oi “– e foi para o quarto.

Não demorou muito, foi a vez do filho do casal – a diferença entre eles é de um ano e alguns meses. Minha amiga foi ao encontro do filho e o recebeu animada. Fiquei a olhar, admirada e surpresa, ao mesmo tempo em que a ouvia perguntando para o primogênito se queria jantar. Conversou com ele, pôs a mesa, fez um suco, esquentou o prato, o serviu e ainda por cima, buscou algo que o paxá pediu.

Não me aguentei, quando vi minha amiga de volta à cozinha para tirar a mesa e ajeitar a cozinha. Perguntei-lhe se era hábito dela tratar os filhos com tal diferença. Minha amiga não pensou para responder: “Meninas têm que se virar desde cedo”. Ao que perguntei: “e meninos, não?” Deprimente. Ninguém vê na hora em que está fazendo, e depois reclama da sociedade machista em que vivemos.

Já é hora de nós, mulheres, nos conscientizarmos. Os homens não são os únicos machistas do mundo. A reflexão vale a pena, por isso aí vão algumas dicas para você testar a si mesma.

Se uma mulher acusa o chefe de abuso sexual e você pensa, “Ela não deve ter se comportado direito”, ou seja, a culpa é dela, sinto dizer, mas esse é um pensamento machista. Até porque assediadores atacam indistintamente, chegando a preferir as recatadas.

Fazer comentários depreciativos sobre mulheres que exercitam seus direitos a âmbito público é uma atitude machista. É o presente repetindo o passado. E tem mais! Uma mulher submissa é machista, na medida em que considera a opinião de um homem – simplesmente por ele ser homem – mais válida do que a sua. Portanto, um machismo herdado!

Sem se dar conta, a mulher machista está perpetuando papéis fixos de dominador e dominada. E assim, gerando dor a homens e mulheres, porque nem um, nem o outro consegue realmente ser feliz.

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