A terapia se faz necessária quando há uma estagnação do crescimento individual. É indicada quando se tem um padrão básico de lidar com a realidade, que funciona, funciona e, de repente, vai pifando, vai pifando e chega um momento em que pifa de vez. Quando este jeitão básico de ser começa a não funcionar, pode-se dizer: faça uma terapia.

As crenças são as expectativas que cada pessoa tem sobre o mundo em torno dela e sobre ela mesma. São originadas a partir da sua própria experiência direta, da observação das outras pessoas, de uma autoridade (pais, professores, religiosos, meios de comunicação), das conclusões de pensamentos lógicos. “O homem é feito por sua crença. Conforme crê, assim ele é”. A terapia permite retornar ao processo de crescimento. A pessoa, melhor informada sobre si mesma, altera substancialmente o seu modo básico de reação, a falha básica que a levou a uma estagnação do crescimento. É importante compreender as razões da estagnação psíquica. Uma terapia só se completa quando a auto-imagem melhora – uma mudança no modo de perceber a vida, quando há uma mudança de comportamento. É a consciência de si.

É tão comum as pessoas responsabilizarem o mundo externo por suas desgraças internas. Sozinha, dificilmente vai caminhar para a tomada de consciência que permite a saída do padrão que levou à estagnação. O sentido de uma terapia é produzir desenvolvimento mental, é fazer com que o indivíduo tenha um melhor contato com o seu mundo interno, com suas emoções e reações – um mundo que às vezes lhe é profundamente desconhecido.

Não é de um dia para o outro que alguém assume de fato sua participação nos conflitos. O paciente pode até reconhecer – “é, eu sou humano, eu também posso errar”. Mas só da boca para fora. Para sustentar isso na hora do vamos ver, só depois de muito desenvolvimento pessoal. Assumir-se não é simples. Assumir-se não é rápido.

Freud estabeleceu que a consciência de si, nas situações de maior gravidade só pode ser alcançando com o auxílio do outro, que tem função de testemunhar: esta é a função do terapeuta. Terapia é a cura pelo outro. Mas o terapeuta não tem direito de violentar pessoas que não querem penetrar mais a fundo no seu mundo interno.

Deve-se considerar que penetrar no desconhecido, mexer com estruturas longamente solidificadas sempre amedronta um pouco.

Às vezes, a pessoa escolhe ficar no mundo externo, examinando cuidadosamente a vida dos outros. Porque, se olharmos com lucidez para dentro de nós mesmos, vai ser duro perceber que aquilo que achamos que os outros têm de arrogância, mesquinhez, ambição, nós também temos e, não raro, numa escala até maior. É preciso certa coragem para admitir estas sombras em nós, as programações negativas, inúteis, desagradáveis, prejudiciais que fazem parte do sistema de crenças de cada um. A pessoa imagina que está definitivamente presa a todo esse entulho e assim continua. É possível mudar o comportamento inadequado, as programações mentais e emocionais, dissolver padrões negativos e torná-los positivo, por meio da devida correção emocional. Para isso, é preciso eliminar o auto-bloqueio.

Autora: Silca T. Malutta. Artigo publicado no Jornal A Notícia,24/05/2007

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